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As Atribuições do Perito Criminal

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A função do Perito Criminal vai muito além da coleta de evidências em uma cena de crime. Trata-se de uma atividade complexa que une investigação policial, rigor científico e responsabilidade jurídica. O perito é, por força de lei, o tradutor da ciência para o Direito, encarregado de materializar a prova que servirá de base para o julgamento de um cidadão.

As atribuições do Perito Criminal oficial são pautadas pelo Código de Processo Penal (CPP), pela Lei nº 12.030/2009 e, no caso do Distrito Federal, pelas normativas da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e pelo Regimento Interno.

Em sua rotina de trabalho, as responsabilidades do Perito Criminal dividem-se nas seguintes frentes de atuação:

1. Atuação no Local de Crime (Exame de Corpo de Delito Direto)

Quando acionado para um local de infração penal (homicídios, furtos, acidentes de trânsito, desabamentos, incêndios, etc.), o perito assume a autoridade técnica sobre a cena. Suas atribuições incluem:

  • Garantia da Preservação: Avaliar se o isolamento do local foi feito corretamente pelas forças de primeira resposta e impedir qualquer alteração que prejudique a verdade dos fatos.

  • Busca e Reconhecimento: Inspecionar minuciosamente o ambiente para localizar e identificar qualquer elemento físico (vestígio) que tenha relação com o evento investigado.

  • Fixação do Local: Documentar o estado exato em que a cena e os vestígios foram encontrados. Isso é feito por meio de fotografias forenses, filmagens, croquis, escaneamento 3D e anotações descritivas rigorosas.

  • Coleta e Acondicionamento: Recolher os vestígios biológicos, químicos, físicos ou digitais de forma tecnicamente adequada para evitar contaminação, perda de viabilidade ou destruição.

2. Gestão da Cadeia de Custódia

O perito é um dos principais garantidores da Cadeia de Custódia (regulamentada pelos arts. 158-A a 158-F do CPP). É sua atribuição:

  • Lacrar, identificar e documentar o histórico de posse de cada vestígio coletado.

  • Assegurar que a prova material não sofra adulterações desde o momento em que é recolhida na cena do crime até o seu descarte final ou devolução após o trânsito em julgado do processo.

3. Análises Científicas e Laboratoriais

Muitos vestígios exigem processamento especializado fora da cena do crime. Nos laboratórios do Instituto de Criminalística, o perito atua para:

  • Examinar Vestígios: Realizar extrações de dados em celulares e computadores (Informática Forense), analisar perfis balísticos (microcomparação), testar reagentes em drogas apreendidas (Química Forense) ou cruzar perfis genéticos (DNA).

  • Desenvolver Metodologias: Pesquisar e aplicar novos softwares, reagentes ou técnicas analíticas para superar as inovações tecnológicas utilizadas pelo crime organizado.

4. Elaboração do Laudo Pericial

Esta é a atribuição culminante e mais importante do Perito Criminal. O laudo não é um mero relatório, mas a materialização da prova.

  • O perito deve redigir um documento oficial, claro, objetivo e cientificamente embasado, descrevendo a metodologia utilizada, os exames realizados e a conclusão alcançada.

  • O laudo deve responder aos "quesitos" (perguntas técnicas) formulados por Delegados de Polícia, Promotores de Justiça (Ministério Público), Juízes e Advogados de Defesa.

5. Assistência ao Poder Judiciário

O trabalho do perito não se encerra ao assinar o laudo. Durante a fase de instrução e julgamento do processo penal, ele tem a atribuição de:

  • Prestar esclarecimentos adicionais sempre que a autoridade judicial ou as partes solicitarem.

  • Comparecer a audiências ou ao Tribunal do Júri para explicar, de forma didática e perante o juiz ou os jurados, a dinâmica do crime e os resultados das análises científicas que realizou.


Independentemente de atuar nas ruas examinando uma cena de homicídio ou diante de um computador quebrando a criptografia de um sistema financeiro fraudulento, o Perito Criminal tem como atribuição máxima a busca incondicional pela verdade material. Sua atuação é a garantia de que os direitos humanos serão respeitados, evitando que inocentes sejam condenados ou que culpados fiquem impunes por falta de provas científicas.

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