Conexão Perdida
29/07/2022

PF apreende cocaína colorida escondida em alimentos durante operação em São Paulo

Droga foi encontrada com passageira monitorada pela polícia e estava disfarçada com substâncias químicas para dificultar a detecção por cães farejadores e testes preliminares.

A apreensão da droga ocorreu na semana passada, envolvendo uma mulher de 45 anos, de origem filipina. Ela vinha sendo monitorada há dois meses e, segundo a polícia, esta era ao menos a terceira vez que retornava ao Brasil. Em território brasileiro, conforme as investigações, ela realizava sempre um “bate-volta” de ônibus entre São Paulo e Campo Grande (MS), transportando na volta falsos pacotes com alimentos.

Quando foi presa, em um hotel na região central de São Paulo, foram encontrados com ela 35 quilos de cocaína nas cores marrom, vermelha e amarela, dissimulados em embalagens de achocolatado, suco de maçã em pó e maca peruana. Ela foi presa em flagrante por tráfico de drogas.

“É algo raríssimo. Eles colocam substâncias químicas que mitigam os odores da droga, impossibilitando, muitas vezes, que o cão farejador detecte a existência daquela cocaína. O narcoteste também dá [falso] negativo por conta dessas substâncias que são colocadas, que dissimulam a droga”, disse o delegado Fernando Santiago, chefe da equipe responsável pela apreensão.

Ainda segundo o policial, não se trata de uma droga nova no mercado, mas sim de uma artimanha utilizada por criminosos para tentar burlar a fiscalização policial. “Essa cocaína não ia ser servida ao consumidor final assim. Ela passa por um processo de limpeza e volta a apresentar o estado branco. O colorido dela é só para dissimular no transporte”, afirmou o delegado.

Aos policiais, a mulher declarou que recebeu a mala de um desconhecido em Campo Grande e que receberia instruções ao desembarcar em São Paulo sobre o destino final da viagem. Não há no boletim de ocorrência informação sobre quanto ela receberia pelo serviço.

Santiago afirmou que, a cada cem apreensões feitas pelo Denarc (Departamento de Narcóticos), menos de 1% envolve cocaína colorida. “É muito raro, porque não é todo mundo que consegue processar cocaína dessa maneira. Há um risco muito grande de se perder a droga, de estragar o material. É preciso um know-how para isso, por isso acreditamos que seja uma cocaína colombiana. Normalmente, quando se dissimula cocaína assim, é para passar em aeroporto”, explicou.

De acordo com o jornalista Allan de Abreu, autor do livro Cocaína – A Rota Caipira, entre as drogas coloridas, a mais comum é a chamada “cocaína negra”, já apreendida em algumas regiões do país. “São muito raras ainda. O mais comum é a pasta base de coca, que vem na cor branca ou ligeiramente amarelada”, afirmou.

O perito criminal Luciano Arantes, especialista em desenvolvimento de métodos para detecção de substâncias controladas, explica que os testes colorimétricos são desenvolvidos para obtenção de informações preliminares, mas que, mesmo em casos positivos, é necessária a confirmação da substância em laboratório.

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