Conexão Perdida
02/03/2023

Perícia grafotécnica do IC/PCDF contribui para investigação de caso em Planaltina

Exames documentoscópicos e análise de escrita ajudaram a identificar autores de anotações e esclarecer elementos relevantes da investigação conduzida pela Polícia Civil do DF.

Uma investigação conduzida pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), entre os dias 9 e 13 de fevereiro, identificou que ao menos quatro pessoas utilizaram um objeto para registrar informações relacionadas às vítimas.

Segundo laudo pericial, as autorias dos escritos foram atribuídas a Fabrício da Silva Canhedo, 34 anos; Gideon Batista de Menezes, 55 anos; e Horácio Carlos, 49 anos. O quarto responsável pelos registros não foi identificado, podendo se tratar de uma das vítimas ou de um novo suspeito, conforme análise dos peritos do IC.

Durante a primeira quinzena do mês, os investigados foram submetidos a exames grafotécnicos e documentoscópicos no IC, que permitem a comparação de escritos questionados com padrões de autoria conhecidos. Os mesmos exames apontaram Horácio como autor de um bilhete que teria sido utilizado para atrair Thiago Belchior, 30 anos; sua esposa, Elizamar da Silva, 39 anos; e os filhos do casal para o local do crime.

O conteúdo da mensagem analisada dizia:
“Chefe, como está o seu dia? Vou precisar de ajuda urgente. Thiago, tem como você vir à chácara? Vou explicar o que está acontecendo. Se puder, venha hoje com a Eliza [Elizamar] e os meninos.”

De acordo com o laudo pericial, com 110 páginas, as principais convergências entre a caligrafia de Horácio e o material analisado incluem “a qualidade geral do traçado, grau de habilidade de punho, proporcionalidade, espaçamentos, inclinação axial, calibre, ataques e remates, andamento gráfico, aspectos angulares e curvilíneos, além das ligações e morfogênese das unidades e conjuntos gráficos”.

O bilhete, que teria servido de base para uma mensagem posteriormente enviada via WhatsApp, foi encontrado no local onde a família foi mantida refém, em Planaltina (DF), e teria sido elaborado com base no linguajar de Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos, sogro da vítima Elizamar da Silva.

O caderno

As análises também identificaram que o caderno utilizado pelos criminosos pertencia a Ana Beatriz de Oliveira, 19 anos. Segundo o laudo, um dos envolvidos teria rasgado as folhas utilizadas pela jovem, deixando apenas páginas em branco para uso durante o crime.

Entretanto, como a vítima escrevia com certa pressão, foi possível identificar marcas do chamado “suco” (impressão da escrita em folhas subsequentes), o que ajudou a confirmar a origem do material.

Durante duas semanas, equipes do IC realizaram comparações minuciosas de elementos gráficos, contribuindo para o esclarecimento de detalhes da investigação. Todo o trabalho foi conduzido pela Seção de Documentoscopia, responsável por exames de autenticidade de assinaturas e análise de autoria de grafismos.

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