Conexão Perdida
21/06/2023

PCDF prende hackers que vazaram dados de autoridades na dark web

Ação da Polícia Civil do Distrito Federal, com apoio da Polícia Civil do Estado de Goiás, contou com perícia do Instituto de Criminalística e revelou exposição massiva de dados pessoais em plataforma criminosa na dark web.

Policiais da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte), com apoio operacional da Polícia Civil de Goiás (PCGO), cumpriram na manhã desta terça-feira (20/6), em Ceilândia (DF) e Rio Verde (GO), mandados de busca e apreensão, prisão temporária, além de bloqueio de contas bancárias e criptomoedas, takedown (derrubada) de websites e takeover (inversão de controle) de servidores.

A operação teve como objetivo desarticular uma associação criminosa responsável pela venda, na internet, de informações sigilosas da população brasileira, incluindo dados de autoridades públicas. Esses dados eram utilizados para a prática de fraudes eletrônicas, elaboração de dossiês contra personalidades públicas e violação da intimidade de cidadãos.

A perícia do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do DF (PCDF) comprovou que informações de autoridades, como o governador do DF Ibaneis Rocha (MDB), parlamentares distritais e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), também estavam expostas. Em nota, a PCDF esclareceu que a Operação RockYou “não possui elementos que apontem para o fato de os dados pessoais do governador do DF terem sido devassados”, destacando, no entanto, que o grupo criminoso teria acesso a dados de quaisquer cidadãos, incluindo autoridades públicas.

Após a prisão de envolvidos, a investigação identificou que esses dados eram comercializados na dark web por meio de “painéis de consulta”. Policiais infiltrados em grupos criminosos no Telegram conseguiram adquirir acesso a um desses sistemas, denominado “Painel Analytics”, vendido em pacotes de 7, 15 ou 30 dias, com valores entre R$ 150 e R$ 350.

Exposição em massa de dados

Com autorização judicial, as perícias realizadas na plataforma apontaram a exposição de aproximadamente 200 milhões de CPFs. Os dados incluíam números de telefone, endereços, e-mails, fotos, assinaturas digitalizadas, CNH, informações sobre veículos, armas, empresas, boletins de ocorrência, mandados de prisão, além de dados financeiros e de parentes.

O sistema também permitia consultas a imagens de câmeras de OCR (leitura de placas), possibilitando o rastreamento de deslocamentos de vítimas e o acompanhamento de suas rotinas. Segundo a investigação, essas ferramentas eram utilizadas para selecionar alvos e estruturar fraudes, além de representar risco potencial a autoridades como policiais, membros do Ministério Público e magistrados.

De acordo com o delegado responsável pela investigação, com as ações desta operação a PCDF busca compreender a origem de um dos maiores vazamentos de dados já registrados no país, incluindo possíveis acessos indevidos a sistemas públicos e o comércio ilegal de informações por empresas de proteção de crédito.

Após cerca de um ano de investigação, a 9ª DP identificou dois responsáveis pelo painel, que foram presos pelos crimes de divulgação de segredo, invasão de dispositivo informático, organização criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas podem ultrapassar 20 anos de reclusão. Também foram identificados 1.453 usuários que adquiriram acesso ao sistema, os quais serão investigados para apurar a finalidade das consultas realizadas.

Outros painéis com o mesmo padrão de funcionamento também foram identificados e seguem sob investigação pelas autoridades.

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