O Sindicato da Categoria dos Peritos Oficiais Criminais – SINDIPERÍCIA/DF – manifesta seu descontentamento com os rumos que estão sendo dados à Polícia Civil do Distrito Federal.

O quadro de Peritos Criminais hoje é menor do que o de 1993, apesar da população do DF ter aumentado cerca de 60% desde aquela data. Atualmente apenas 45% das vagas do quadro de Peritos Criminais estão preenchidas, o que acarreta demora nos atendimentos dos locais de crime e emissão dos laudos periciais. Destaque-se que há um concurso homologado com Peritos Criminais aguardando a nomeação, todavia, ainda que todos sejam nomeados, o que seria um grande alento para a segurança pública, seriam preenchidas apenas 66% das vagas do quadro.

A despeito da desvalorização profissional, o alto comprometimento dos Peritos Criminais da Polícia Civil do DF com seu ofício é reconhecido nacionalmente. Não é por menos que os Peritos Criminais da PCDF foram os mais premiados no maior e mais recente evento científico nacional de criminalística, o XXIV Congresso Nacional de Criminalística, ocorrido em 2017. Este evento ocorre bienalmente e dele participam todas as perícias do Brasil, ou seja, todas as perícias estaduais e a perícia da Polícia Federal. A perícia criminal do DF foi a perícia mais premiada, tendo alcançado o primeiro lugar geral e o primeiro lugar em três das sete áreas de conhecimento.

Em que pese as ostensivas demonstrações de competência técnica dos Peritos Criminais, diariamente temos que vencer as dificuldades impostas pela má gestão do GDF. Ano passado fomos surpreendidos com o edital voltado para a Segurança Pública da FAP/DF ter contemplado projetos ligados à Polícia Federal e à todos os órgãos de segurança pública do DF, exceto a PCDF, sendo que havia projeto aprovado voltado à Perícia Criminal a ser conduzido por Perito Criminal. A má administração levou à não concretização da assinatura do projeto, prejudicando as apurações penais que iriam se beneficiar das novas técnicas periciais que seriam desenvolvidas. A não assinatura de projeto para melhorar a perícia criminal é mais um viaduto caído por má administração deste governo.

A sobrecarga de trabalho, a falta de valorização profissional e a má administração do atual governo tem levado ao aumento da evasão da carreira. A formação de um Perito Criminal exige anos de atuação e estudo na área criminal e quando um profissional com tamanha bagagem deixa a instituição, esta regride e leva muitos anos para suprir a falta a defasagem de conhecimento decorrida da evasão. A falta de valorização por parte do GDF, sem sequer apresentar uma proposta de recomposição das perdas salariais e da paridade com a Polícia Federal nos próximos anos, implica no aumento da defasagem salarial em relação às outras carreiras de Estado. A consequência disso é levar os Peritos Criminais, altamente capacitados, a alçar novos voos em detrimento do estudo das ciências forenses, o que só interessa à criminalidade, em especial aquela mais elaborada, que necessita de provas robustas e bem elaboradas para serem desvendadas, como o crime organizado e os crimes do colarinho branco, em especial os praticados contra a administração pública.

Informamos a toda sociedade brasiliense que continuaremos trabalhando para evitar o desmonte da segurança pública e dos serviços essenciais à população. Nesse contexto, não mediremos esforços para corrigir o uso inapropriado do Fundo Constitucional do DF. Trabalho sério é o melhor caminho para superar a má administração que nos colocou nesta crise.

Brasília, 09 de fevereiro de 2018