Motorista estava a 140km/h quando atropelou casal no Lago Norte

Peritos do Instituto de Criminalística (IC) concluíram o laudo pericial envolvendo o atropelamento e morte do casal Evaldo Augusto da Silva, 75 anos, e Dulcinéia Rosalino da Silva, 70, na noite de 18 de janeiro, na altura da QL 10 do Lago Norte. Foi constatado que a motorista Luciana Pupe Vieira, 46 anos, estava a 140km/h quando perdeu o controle do veículo, um Mitsubishi ASX, momentos antes do acidente.

O resultado, entretanto, foi inconclusivo quanto aos motivos que causaram a perda da direção. Ou seja, não é possível dizer se houve problemas mecânicos, se foi imprudência, imperícia ou se a condutora teve um mal súbito.

Médicos do Instituto Médico Legal (IML) também colheram material biológico da motorista, que está internada em estado gravíssimo no hospital. As substâncias seriam importantes para identificar traços de alcoolemia, rastros de medicamentos ou qualquer substância psicoativa. No entanto, o material não pode ser analisado sem a anuência da vítima, que está inconsciente.

Uma das linhas de apuração é que a condutora, diabética, teria sofrido uma crise de hipoglicemia, desmaiado e perdido o controle do veículo. Investigadores da 9ª Delegacia de Polícia (Lago Norte) fizeram uma série de diligências durante as apurações, ouvindo testemunhas que presenciaram o acidente. Uma delas é juíza de direito e quase foi atingida pelo veículo.

Celular apreendido
A delegada Mônica Ferreira, titular da 9ª DP, deu mais detalhes sobre as investigações na tarde desta sexta (26). Segundo ela, durante a semana, foram ouvidas oito testemunhas, como a juíza, bombeiros que atenderam a ocorrência e servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Mônica informou que a polícia está com o celular da motorista para apurar se ela usava o aparelho no momento do acidente. Essa investigação, no entanto, ainda não foi concluída.

Mesma igreja
A motorista trabalha na Câmara dos Deputados. As famílias frequentavam a mesma igreja, a Nossa Senhora do Lago. Imagens registradas por câmeras de segurança mostram o instante em que o carro invade a calçada e atinge o casal. Os dois morreram na hora. No vídeo, compartilhado nas redes sociais, é possível ver outras duas pessoas que caminhavam no local escaparem do veículo, pulando no gramado.

Metrópoles apurou que o carro estava devidamente licenciado e a Carteira de Habilitação da motorista em dia. Devido à violência da colisão, um dos corpos foi arremessado a vários metros de distância do local da tragédia.

O acidente ocorreu no sentido Clube do Congresso, em um horário no qual muitos moradores caminham pela região. Depois de atingir o casal, a condutora seguiu em frente, cerca de 300m do ponto do acidente, e só parou após colidir com um poste.

 

Fotos publicadas nos perfis de Evaldo e Dulcinéia, nas redes sociais, mostram viagens do casal pelo mundo. Ambos eram servidores da Receita Federal e da Câmara dos Deputados, respectivamente.

De acordo com testemunhas, o casal morreu perto do lugar onde morava, na QL 8 do Lago Norte. Os dois tinham acabado de retornar de uma viagem internacional, em celebração aos 50 anos de casados.

Ferragens
A condutora Luciana Pupe Vieira chegou a ficar presa às ferragens. Foi retirada do veículo pela equipe do Corpo de Bombeiros e transportada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Instituto Hospital de Base, com traumatismo craniano, fratura no punho, fratura de vários dentes e escoriações pelo corpo. Depois, ela acabou sendo transferida para um hospital particular.

Por causa dos procedimentos de resgate, não foi possível submeter a motorista ao teste de bafômetro, para atestar se ela estava alcoolizada no momento do acidente.

Outra tragédia
Em abril do ano passado, o aposentado Edson Antonelli, 61 anos, morreu atropelado na mesma via, na altura da QI 7. A motorista que o matou foi condenada a 2 anos e 6 meses de prisão. Mônica Karina Rocha Cajado Neves, 20, estava embriagada quando o carro atingiu a vítima, que estava de bicicleta.

Na época, o teste do bafômetro acusou níveis altos de álcool no sangue – 154% acima do limite permitido, configurando crime de embriaguez. A jovem deve cumprir a pena em regime inicialmente aberto.

Mônica foi presa no dia do acidente, um domingo, mas ganhou liberdade após pagar fiança de R$ 5 mil. Na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), Mônica relatou que, no dia do acidente, saiu de uma festa na Torre Digital e foi, de Uber, até a QI 12 do Lago Norte, onde estava o carro dela, um GM Ônix. Ela acredita ter dormido ao volante.

 

Por: Metrópoles

Em: 26/01/2018 16:15 , atualizado em 26/01/2018 17:46